Militar acusada de causar morte de aluno por tortura é investigada em outro caso

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A tenente Izadora Ledur de Souza Dechamps (foto esq) deve responder a mais um crime de tortura. Ela já responde por uma ação penal por ter praticado o crime de tortura contra Rodrigo Patrício Lima Claro, o que teria causado a morte do rapaz. Agora o Ministério Público encaminhou um ofício a Polinter para que seja investigado o crime de tortura contra outro aluno. A polícia confirmou que o documento já está em mãos e o inquérito vai ser aberto.

Segundo o documento do Ministério Público Estadual, o objetivo é apurar se a tenente do Corpo de Bombeiros e outros cometeram crime de tortura contra Maurício Júnior dos Santos. O aluno teria sido submetido a sessões de afogamentos e chegou até mesmo a desmaiar. Ele desistiu da carreira de bombeiros até por temer a vida.

Maurício, que seria mais uma vítima de Ledur denunciou os “castigos” sofridos durante o 15º Curso de Formação de Bombeiro, realizado em 2015. Em depoimento ele alegou que era de conhecimento de todos que adotava como metodologia de “trabalho” afogamentos dos alunos durante os treinamentos, com intuito de forçar a desistência destes do Curso de Formação, o que gerou certo receio e “medo” porque apresentava certa dificuldade no nado.

Ele confirma que após ter nadado aproximadamente 40 metros, começou a sentir muitas câimbras nas pernas, sendo auxiliado por seus colegas. Uma bóia foi lançada por um tenente que participava do curso para facilitar a travessia. Naquele momento Ledur determinou aos colegas que o largasse.

Devido às dificuldades ficou para trás com a tenente e teria sido humilhado pela mesma com palavras de baixo calão. Ao chegar próximo de Ledur, ela inverteu a bóia, deixando-o apenas com a corda passada em torno do pescoço e axila. Ela fazia movimentos, os quais forçavam o aluno a submergir e começaram as sessões de afogamento.

As sessões de tortura foram repetitivas, tanto que num determinado momento segurou nos braços de Ledur, implorado que ela acabasse com aquilo. Como resposta, ele teria ouvido a seguinte frase: “você está louco, aluno encostando em tenente”. Os afogamentos teriam continuado até que o rapaz “apagasse”. Ele não soube precisar quanto tempo ficou desacordado e quando recobrou a consciência já estava fora da lagoa, acompanhado de um sargento e um aluno, momento em que vomitou bastante água.

Com forte dor de cabeça e, o aluno disse que não voltaria para a água. Mas Ledur gritava ordenando que retornasse. Ele tinha certeza que se retornasse a atividade, a tortura tornaria a repetir, até mesmo de uma forma mais intensa, oportunidade que chegou a temer por sua vida. Maurício diz que perdeu a consciência mais uma vez e acordou dentro do veículo da unidade de resgate. Depois disso, desistiu do curso de formação, abrindo mão da carreira de bombeiro militar.

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Diante dos relatos, o MPE, diz que é ilustrada a prática de crime de tortura, na modalidade castigo e omissão. O MP frisa ainda que Maurício citou o caso de outra aluna que chegou até a registrar um boletim de ocorrência contra as práticas de Ledur o que ensejou abertura de Procedimento junto à Corregedoria do Bombeiros para apurar o fato, mas foi arquivado sob alegação de falta de prova. Nesta linha, ele revela que diversos alunos foram obrigados a mentir e omitir as circunstâncias no bojo do IPM instaurado.

CASO RODRIGO CLARO
Rodrigo Patrício Claro de Lima morreu no dia 15 de novembro do ano passado após ser submetido a torturas em curso de formação. Conforme denúncia do Ministério Público o fato ocorreu no dia 10 de novembro de 2016 durante o treinamento do 16º Curso de Formação de Bombeiros realizado na Lagoa Trevisan em Cuiabá. O Ministério Público aponta que Rodrigo teria sido submetido a intenso sofrimento e castigo, o que foi confirmado em depoimento de outros alunos do curso. O aluno chegou a ser internado com fortes dores de cabeça e com quadro de AVC, mas morreu dias depois.

No último dia 27 a Justiça acolheu a denúncia do Ministério Público Estadual (MPE) contra a tenente e mais cinco militares. Ledur deve ser afastada do cargo e monitorada por tornozeleira.

http://www.diariodecuiaba.com.br/detalhe.php?cod=506222

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