Drama de deficiente abandonado por família une mães

Um homem de 32 anos vive um drama em Ribeirão Preto (SP) desde que a mãe morreu vítima de câncer em janeiro deste ano. O rapaz com retardo mental e epilepsia foi rejeitado por familiares e, sem tem para onde ir ou com quem ficar, foi levado para um abrigo público, a antiga Cetrem, que atende moradores de rua. A situação comoveu um grupo de mãe de alunos da Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), que tem buscado uma solução para o caso. (Rapaz de 32 anos por levado para abrigo da prefeitura, mas não há cuidadores no local (Foto: Valdinei Malaguti/EPTV))

“É muito triste de ver, de olhar para ele e ver que está sozinho. A família não o acolheu, é muito triste, muito difícil”, diz a dona de casa Gláucia de Fátima Souza Alves.

Em nota, a Secretaria Municipal de Assistência Social informou que uma decisão judicial determinou que a Prefeitura mantenha o homem abrigado até que os parentes sejam identificados.

Lar provisório

De acordo com o diretor do abrigo municipal Eduardo Barbosa, o homem foi levado à unidade no dia 27 de janeiro por um tio, logo após a mãe dele ser enterrada. Os familiares, no entanto, não assumiram nenhum tipo de cuidado. Um relatório médico aponta que ele tem epilepsia, retardo mental moderado, distúrbio de fala, e é totalmente vulnerável.

Diante da situação, a APAE abriu uma exceção e passou a atendê-lo de segunda a sexta-feira em período integral, sendo que o normal seria recebê-lo apenas por meio período, como os outros alunos.

Pela manhã, um motorista da Secretaria Municipal de Assistência Social o leva à entidade, onde ele recebe medicação, faz refeições e toma banho. Após o dia de atividades, ele retorna ao abrigo, que recebe pessoas em situação de rua e que estão de passagem pela cidade.

Barbosa afirma que a Prefeitura chegou a fazer contato com uma entidade que cuida de pessoas com deficiência para tentar uma vaga, mas o pedido foi negado com a justificativa de que a instituição não tem condições de oferecer uma estrutura adequada para cuidar do rapaz diante das necessidades que ele apresenta.

“Infelizmente, este [abrigo] não é o local para ele ficar, porque não temos ainda como atendê-lo adequadamente. No carnaval, a nossa unidade vai ficar superlotada e existe uma preocupação total com ele. Estamos fazendo tudo o que podemos, mas ele precisa de mais atenção, de mais cuidados e mais amor por parte das pessoas que têm que cuidar dele”, afirma Barbosa.

Para não deixar o homem desamparado, Barbosa diz que estendeu seu horário de trabalho e passou a ficar na unidade até às 22h. Embora a equipe tenha se mobilizado, não há um funcionário específico para atender pessoas nessa situação, o que aumenta a preocupação e a ansiedade de conseguir um lugar onde ele possa viver.

“Nossos esforços estão sendo enormes, porque temos a dificuldade de não poder ter o atendimento que ele necessita aqui na casa com os horários de remédio, acompanhamento médico”, afirma Barbosa.

Drama de deficiente abandobado por família une mães

“A gente que é mãe, que tem filho especial em casa, fica muito revoltada. Quando eu fiquei sabendo, fiquei desesperada, não dormi, não consegui fazer nada. Eu vim disposta a levá-lo para a minha casa. Mas, fui aconselhada a não fazer, porque eu também tenho a minha filha com deficiência, seria um trabalho muito grande”, afirma a dona de casa Josiane Aparecida dos Santos Ribeiro. (Foto: Situação do jovem comoveu um grupo de mãe de alunos da Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), que tem buscado uma solução para o caso)

Identificação de parentes

De acordo com a presidente da Ação Inclusiva Shara Liliane de Souza, as autoridades já foram acionadas para tentar uma solução. “Eu gostaria de ter uma resposta urgente, porque esse moço não pode ficar no Cetrem [abrigo]. É desumano o que está acontecendo com ele. Que a sociedade se sensibilize com isso”, diz.

Segundo a Secretaria de Assistência Social, uma ação civil pública foi ajuizada contra o município para o abrigo do rapaz. Ele ficará provisoriamente na Cetrem com todos seus direitos preservados como alimentação, vestimenta e transporte para a APAE, uma vez que não há entidades que abrigam pessoas com necessidades especiais para manutenção dele.

A Secretaria informou que a decisão será válida até que sejam identificados os parentes para que assumam as responsabilidades pelo homem.

http://www.24horasnews.com.br/noticias/ver/drama-de-deficiente-abandobado-por-familia-une-maes.html

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